Esta comunicação analisa como as plataformas digitais condicionam as escolhas das juventudes por meio da curadoria algorítmica, da modulação comportamental e da economia da atenção, tomando o episódio “Nosedive”, da série Black Mirror, como recurso crítico-interpretativo. No enredo, Lacie Pound vive em uma sociedade na qual cada interação recebe avaliações de uma a cinco estrelas, e sua pontuação define acesso a moradia, mobilidade e reconhecimento social. A busca pela elevação de seu índice evidencia como a aprovação permanente transforma relações, afetos e comportamentos em performances calculadas. Em diálogo com Byung-Chul Han, Gillespie, Pasquale, Susser, Roessler e Nissenbaum, discute-se que os algoritmos não apenas selecionam conteúdos, mas organizam condições de visibilidade, desejo e decisão. Argumenta-se que a autonomia não desaparece, porém é tensionada quando personalização, opacidade, assimetria informacional e exploração de vulnerabilidades orientam condutas sem percepção reflexiva. Defende-se inteligibilidade, contestabilidade e responsabilização das plataformas como condições éticas para preservar a autonomia juvenil.